"Há pessoas que nunca se perdem porque nunca se põe a caminho." by Johann Wolfgang von Goethe

sábado, 24 de dezembro de 2011

Preciso aprender a ficar off



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Oferecer meu ombro amigo quando não é meu momento a resolver os meus fantasmas. E os amigos aceitarem esse ombro. Nunca me roguei a pedir ajuda, pois o máximo que pode acontecer é ouvir um não. E não dói na hora, depois passa. Mas o que me dói mais e sempre é ter dois ombros, duas mãos, duas pernas, um cérebro e muito carinho pra compartilhar. Mas por mais que eu sempre tenha pedido ajuda aos amigos e sempre coloquei o meu auxílio apostos, pouco lembro deles virem pedir. Será por que eles sempre mais esperam eu pedir ajuda do que conseguir dar ajuda?? Pois sempre me sinto melhor ajudando do que sendo ajudada. Pena que nem sempre os que ajudo são esses mesmos amigos que me levantam e me animam e me ouvem e me chacoalham.

Preciso ficar quieta sem atormentar essas pessoas. Ser menos neurótica. Confiar mais em mim. Colocar meu bom senso pra funcionar 24/7. Fazer um diagnóstico mais prático dos fatos e menos emocional.

Fazer dos momentos o melhor deles. Pois tudo passa rápido. A dor se dissipa quando aprendemos a lição, a felicidade dá tchau quando não valorizamos a rotina, a mesmice toma conta e quando damos conta que já é natal e fim de ano e tudo muito igual ainda.

* parte do filme Across the Universe (um dos filmes que eu amo!)

AMIGOS

(Vinícius de Moraes)

"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor.
Eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências.

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. É delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí.

E me envergonho, porque essa minha prece é em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer.

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que não desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os."

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