"O que é nosso está guardado, sempre acredito nisso." *


Tenho me queixado muito sobre minha posição solteirice, mas não é o estado solteira que verdadeiramente  me incomoda, é a falta de intimidade com alguém. Falta de contato humano, contato com prazer, de ter e dar prazer. Falta de aumentar os sentidos pelo prazer de estar junto e pela intimidade de reconhecer o corpo do outro a vontade alheia e participar de mútuas expectativas. 



Já faz um tempo que não entro em contato físico com outra pessoa. Faz ainda mais tempo que não tenho contato físico com alguém que eu ame e que me ame. Faz tempo que não toco uma pele mais por querer estar junto do que pelo prazer do sexo. 


Sem querer expor ninguém, mas a última vez que dividi uma cama teve muitas coisas, beijo, desejo, vontade, mas também faltou muuuita coisa, sintonia, intimidade, conhecer mais o outro e ele mais me conhecer, me desvencilhar da mente e me entregar de corpo. E nessa não consegui dar o melhor de mim e nem aproveitar o melhor que podia. Mesmo sabendo que eu podia muito mais, mas não tinha a intimidade emocional suficiente para poder desbravar outros sentidos. E quando falo de intimidade, não é ser namorados, ou um casal, mas ser duas pessoas que se conhecem, que se sentem seguras e a vontade uma com a outra. Tenho aqui, na caixinha de memórias alguns (é alguns, mais de dois por certo!), que me entreguei de todas as formas, não éramos namorados, não tínhamos essa pretensão, mas tínhamos a sintonia, o envolvimento da confiança de eu sei quem você é e você sabe quem eu sou, tinha a intimidade das piadas internas, o conhecimento do desejo mútuo um pelo outro e não somente o quesito uma noite e nada mais.
Intimidade é conhecer o outro, é ter o prazer em explorar o que se conhece. É percorrer pelas curvas por vontade, por ânsia, por desejo (in)contido dos olhares.


E tenho dividido essa insatisfação com um e outro amigo, (isso mesmo, do sexo masculino. E somos apenas amigos, sem nenhuma conotação sexual. Sim tenho amigos homens que não, nunca ficamos e não, posso dizer que não, não ficaremos nesta vida. Por diversos motivos, somos apaixonados pela nossa amizade, pela intimidade de sermos amigos, pela troca de confidências que muitas vezes se perde quando a barreira da amizade é ultrapassada. E é muito mais válido a nós essa amizade para uma vida inteira do que um momento fortuito e ligeiramente passageiro.), e aí um deles me descreve sobre a sua crença: "O que é nosso está guardado, sempre acredito nisso." E me peguei pensando que já não sei mais no que acredito quando falamos em crença, destino, objetivos de vida, caminhos escolhidos. Posso dizer que pouco me conhecia antes quando muito acreditava racionalmente em fatores como o por que estamos aqui, qual o nosso dever, etc. Aí minha vida virou do avesso, literalmente do avesso e isso me levou a lugares que sempre tive vontade mas nunca a coragem para ir. E fui e ali pude me conhecer, me reconhecer, me descobrir. E quanto mais me descobria mas revi meus conceitos, jogando fora conceitos de sociedade e de criação. Limpando a névoa de crendices e divindades. E conforme fui me descobrindo, fui deixando de crer em muitas coisas que eram certas, passei a duvidar mais, a questionar mais. O coração me diz que há algo mais, algo além, mas o cérebro ainda não consegue distinguir o que justamente pelas andanças que os sentimentos fizeram nesse avesso me trouxeram mais a dúvida do que a certeza.


Mas seja por estar guardado e que ainda não fora o momento de ser descoberto ou por ter que lutar para conquistar, eu sei que eu irei, sei que caminharei, que continuarei a remar. Mas a estrada tem sido cada vez mais solitária.


Foto: Quando eu tinha o cabelo um pouco comprido. :-)
* Título da postagem: by Erico Maia







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