E quem é o louco dessa história?

Ninguém entende por aquilo que cada um passa...
Sempre me pego perguntando: - Quem é o louco nessa história?
Vou ao mercado, ao cinema, saio com os amigos etc
Vou a exposições, compro livros, passeio pelas ruas
Trabalho, planejo conquistas e sonho com um futuro não muito distante
Mas ainda me pergunto: - Quem é o louco nessa história?

Vejo pessoas em suas rotinas, por vezes que as escolheram, por vezes que foram escolhidas para elas.
Uma rotina de vida que não sei se eu quem não me encaixo nela por não viver as mesmas coisas ou por não querer talvez as mesmas coisas. Pois talvez o que te faça se sentir vivo, não seja a mesma coisa me faça sentir viva.
Hoje quando faço coisas que aprecio, me olham torto. Não entendem ou não respeitam??

Saudades de quando ia ao cinema sozinha, ao mercado comprar uma vodka para mim e para a minha flatmate, pois íamos cozinhar, bater papo e nos divertir. Saudades de quando curtia o dia pelas ruas, pelo simples fato de poder passear pelas ruas, onde as pessoas davam passagem e ninguém se estressava por te dar o caminho, te mostrar como se faz as coisas. Saudades de ver cada um cuidando da sua vida e você da sua e ponto.
Saudade da minha Londres... quando eu podia ser eu mesma, nem mais e com certeza, nem menos.
Aqui todos esperam algo de você...
- E aí, já arranjou um trabalho?
depois que arranja o emprego...
- E aí, está namorando?
depois e mesmo que não "arranje" um namorado...
- E aí, não vai casar?
e onde todos conhecem minha morada ao estrangeiro perguntam:
- E aí, veio pra ficar?

PHOOODAAA!!
Minha vontade é mandar todo mundo tomar no **! Mas eu não consigo. Que isso fique bem claro. Por mais que a vontade seja essa, de dizer em alto e bom som para cuidarem de suas vidas e me deixarem em paz para que eu possa viver a minha, não consigo. Ainda mora dentro de mim uma certa necessidade de aprovação, de aceitação. Como se isso fosse demonstração de amor. Claro que aceitar o outro como ele é, é amor, mas nada que tenha que haver alguma aprovação para isso. Mas ainda tenho isso, e me chateia. Por mais que possa parecer que eu não precise de ninguém ou que não queira ninguém por acharem que minha "transparente" tranquilidade é o reflexo disso, muito pelo contrário. Sou uma pessoa que precisa de pessoas. Que gosta de estar em contato, de dividir, de somar e por vezes subtrair. Preciso de todos! Dos que me fazem bem, para me dar força, suporte, amor, carinho. E também preciso dos que me fazem mal, para que me ensinem, que me testem, que me mostrem quem eu verdadeiramente sou.
Mas essa saudade de longe, é a maior saudade que podemos ter: SAUDADE DE NÓS MESMOS. E é essa saudade que me consome, saudade de mim mesma, de fazer o que gosto sem pensar nos olhares e opiniões alheias. Sem ligar tanto para o que pensam.
E aí mais uma vez me perguntei: - Quem é o louco dessa história?
E cheguei a mais franca conclusão: - Eu! Pois além de não preencher expectativas alheias, também não faço o que desejo. Essa é a maior loucura do ser humano, deixar a vida passar diante de si.




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