O caminho do meio

Para variar, não sei bem ao certo, mas acho que as pessoas não falam, não comentam, não dialogam muito sobre o caminho do meio. Talvez por ser o que nos consuma mais tempo e dinheiro, mais atenção e tempo, mais trocas de sonhos e realizações (nem sempre destes sonhos) e tempo. E engraçado que é a época que mais temos tempo durante nossas vidas.
A infância e adolescência com data para acabar, percorre seu tempo, com preocupações de pais e familiares, pressões em ser uma pessoa responsável, escolher uma profissão, aliás, o estudo de uma, afinal, quantas pessoas estudam uma formação e não trabalham na mesma?! Eu por exemplo e por opção em uma época (opção errada, mas foi minha opção), não trabalho na área acadêmica que me formei. Ou nem estudam e trabalham. E a fase adulta, que hoje não há necessariamente uma data a qual se inicia, ou mesmo que se acaba, mas que parece eterna e ainda sim, quase pouco damos a dada atenção no intuito de nos dedicarmos ao que vale na vida, por estarmos tão ocupados com o que "comanda" o mundo, que deixamos em segundo ou terceiro plano o que comanda nossas almas, nossos sentimentos, nossos corações, nossas dores, nossos medos, nossas inseguranças. E a velhice, que também, sei lá por qual época que aparece e que com certeza acaba quando batemos as botas e voltamos ao pó. Coisa de velho que antes era quando estivéssemos com 60, hoje talvez aos 70 ou 80, falam até em 90... E nem sabemos ao certo o que deveríamos fazer nessa idade, considerando que nem mesmo nos imaginávamos por ali.

Uma vez trocando e-mails com um amigo, que hoje se passa por um estranho, ele por inúmeras vezes comentava de seu trabalho, do quanto fazia e nutria e buscava sempre uma promoção e mais dinheiro. E este papo já se transcorria por mais de dois anos. E neste interím ele teve uma promoção e mais dinheiro, mas mesmo assim, não se dava por satisfeito, queria outra promoção e mais dinheiro. E em um dado momento me deparei com um pensamento: se sempre buscamos promoção e mais dinheiro, quando é que atingiremos o nosso limite de desejos? Pois sempre há um fim, não necessariamente o fim das coisas, mas haverá um momento que não haverá mais a promoção, ou mais dinheiro que sustente nossos desejos, quando estes se tornam muito mais materiais do que emocionais. O desejo de possuir coisas talvez nunca acabe. Uma vez é ter o emprego, depois um carro, quem sabe uma casa, e depois viagens ou uma casa de praia/campo, e quem sabe um apartamento maior, se há filhos, uma boa escola, inglês, francês, alemão, espanhol, natação, judô, aula de música, e roupas, muitas roupas pois crianças crescem rápido demais. UFA... e quando é que haverá tempo para a atenção, o respeito, o carinho, a compreensão, a divisão, a melhoria de si, o entendimento e compremetimento com a vida em si?!
Claro, sem dinheiro não fazemos NADA neste mundo, mas só ele também não me trás respostas e conforto. E aí penso: qual seria o caminho deste meio?!?

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