A Casa

E lá se foram duas almas, caminhando pela rua que se encontraram no tempo devido.
Cada qual com seus tijolos a construírem seu lar, sua casa.
Cada qual com sua quantidade de pedras e areia que já vinham carregando de antes.

E assim se viram, conversaram e se entenderam.
Haviam decidido construir ali sua morada.
A cada dia um ou os dois colocavam mais um e mais outro tijolo, por vezes misturam areia, por vezes pedra.

E dia após dia a base se fez, os alicerces subiram, a laje a cobrir.
Quando uma ventania bateu, uma ventania de areia forte se abateu sobre essa casa.
Graças que apenas passou de raspão em suas vigas de sustentação.
Outro dia foi uma chuva forte de pedra que ali passo.
Graças que apenas se fez algumas lascas.

E lá se foram, mais dias, mais tijolos, nem sempre com mais areia ou pedra.
Ou até mesmo misturavam suas areia e suas pedras.
Esta casa ainda está em formação. Estará completa quando um dos dois ou os dois morrerem...

E assim que vejo o casamento.
Cada qual com seus sonhos e desejos (tijolos), juntamente com seu passado (arei e pedra), a erguer uma relação. Formando sua base e erguendo sua moral, seu exemplo. Edificando-se através do trabalho diário. Mútuo em conjunto. E quando presente uma ventania de areia ou uma chuva de pedra, nem um e nem o outro sofre abalos. Talvez alguma ponta de dúvida, uma certa insegurança. Mas nada que ocasione a quebra de uma das vigas de sustentação desta casa. Por certo, que muitas vezes por uma chuva qualquer ou uma ventania simples, os alicerces que não eram de tijolos, talvez apenas de areia e pedra, caem facilmente. E isso acontece quando os casais não se propõe a superar desafios, a crescerem juntos, a moldar seus sonhos em conjunto. E aí cada um pega seus tijolos e sai novamente pela rua. Por vezes com menos tijolos e mais areia e pedra...

Uma brincadeira, uma comparação, uma inspiração, para que possamos cada vez mais refletir sobre as nossas escolhas. Principalmente aquelas que envolvem outras pessoas, o que quase sempre o é. Mas casamento, consumar uma vida a dois é isso, é construir uma nova casa com cada tijolo, pedra e areia que cada um trouxer.

A Casa - Vinícius de Moraes:
Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela, não
Porque na casa
Não tinha chão
Ninguém podia
Dormir na rede
Porque na casa
Não tinha parede
Ninguém podia
Fazer pipi
Porque penico
Não tinha ali
Mas era feita
Com muito esmero
Na Rua dos Bobos
Número Zero

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